A imposição de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros está alinhada com a estratégia do presidente dos EUA, Donald Trump, de repatriar a produção industrial para os Estados Unidos, mesmo que isso signifique um possível aumento da inflação no país.
Segundo o analista de internacional da CNN Lourival Sant’Anna, o principal argumento que tem funcionado nas negociações com o governo americano é a geração de empregos nos EUA, e não os potenciais impactos inflacionários das medidas.
De acordo com lobistas que representam grandes empresas brasileiras em Washington, a experiência durante a pandemia evidenciou a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos americanas, com forte dependência de componentes e insumos produzidos em outros países.
Esta realidade reforçou a determinação de Trump em promover o “reshoring” — o retorno de investimentos e da produção industrial para território americano.
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Negociações envolvendo produtos como café e carne bovina enfrentam desafios particulares.
Apesar da significativa participação brasileira nesses setores, a administração americana busca estabelecer tarifas lineares para todos os países, sem exceções.
Há, contudo, um certo otimismo nas negociações com o Brasil, segundo Lourival, principalmente devido às possíveis concessões que o país pode fazer em termos de tarifas.
O Brasil, reconhecidamente um país com alto grau de protecionismo comercial, possui margens para ajustes em suas políticas tarifárias.
No entanto, para o governo americano, o fato de os Estados Unidos manterem um superávit comercial com o Brasil não é relevante nas negociações. O objetivo principal é alcançar um equilíbrio tarifário que, na visão americana, poderia inclusive ampliar ainda mais esse superávit.
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