‘Mbotawa’ reúne indígenas no sul do Amazonas em festa ancestral e espiritual Mais de mil indígenas do povo Tenharim participaram, no Sul do Amazonas, do “Mbotawa” um ritual ancestral que une espiritualidade, tradição e reafirmação cultural. A celebração ocorreu na Aldeia Marmelo, localizada na Terra Indígena Tenharim Marmelos, próxima a Humaitá, e reuniu famílias inteiras em dias de dança, cantos e conexão com os antepassados. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A programação do “Mbotawa” começa com a saída dos guerreiros da aldeia para a mata, onde permanecem por mais de dez dias em uma caçada tradicional. Os alimentos obtidos são usados para preparar as refeições servidas durante a festa. Nos quatro últimos dias do ritual, a comunidade se reúne para momentos de espiritualidade. Por meio das danças e cantos, os participantes renovam forças e fortalecem os laços com os ancestrais. A floresta, nesse contexto, é mais do que abrigo. É vista como casa dos espíritos, fonte de alimento e guardiã da história do povo. “Os saberes tradicionais, tudo que tá acontecendo, o casamento, cerimonial de falecimento, caçada, pescaria, a dança, os adereços culturais do povo Tenharim”, explicou Valeriano Tenharim, pedagogo da comunidade. Indígenas Tenharim celebram ritual de ancestralidade no Amazonas. Raolin Magalhães/Rede Amazônica O centro das celebrações é o Casarão, considerado templo sagrado pelos Tenharim. É lá que os corpos se tornam, simbolicamente, pontes entre o mundo terreno e o espiritual. “Hoje essa dança cultural tem vários significados. A gente fortalece o nosso espírito, faz a união da família e renova todos os povos indígenas, tanto da família, quanto os parentes e aos amigos que estão aqui junto nesse momento”, afirmou o cacique Léo Tenharim. A estudante Ana Beatriz de Oliveira, que viajou para acompanhar o evento, diz ter vivido mais do que uma experiência cultural. “Eu acho isso incrível, eles realmente exalam essa espiritualidade. E sempre que eu puder estar aqui com eles, quero estar. Eu acho muito legal”, declarou. Apesar da força da tradição, a comunidade enfrenta desafios. O líder comunitário Ivanildo Tenharim ressaltou que manter viva a cultura também depende do acesso a direitos básicos, como saúde, educação e infraestrutura. Há cerca de três meses, a cheia do Rio Madeira alagou trechos da BR-230, conhecida como Transamazônica, dificultando o acesso à região e isolando comunidades indígenas. “A BR é tão importante não somente para o povo Tenharim, mas também para quem transita. Porque se vocês lembrarem de 20 anos atrás, era intrafegável. Pra chegar com caminhonete até a aldeia levava uns dois dias. Então pra remover um paciente, mais BR é melhor, a trafegabilidade é mais rápida. Quando a estrada tá ruim, dificulta o acesso e demora mais para socorros”, explicou Ivanildo. O Mbotawa é, para os Tenharim, mais do que uma celebração: é a renovação de um povo, um elo com o passado e um gesto de resistência diante dos desafios do presente. Buracos misteriosos em cachoeira no Amazonas surgiram há milhões de anos e formam ‘banheiras’ naturais Ritual envolve saída de guerreiros para caçada. Raolin Magalhães/Rede Amazônica Trecho da Transamazônica está intrafegável por causa da cheia do Rio Madeira
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