A abertura do mercado japonês para carne bovina brasileira, sonho antigo do agronegócio nacional, deve começar pelos estados do Sul do Brasil, segundo negociadores do governo ouvidos pela reportagem.
Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul foram os primeiros estados do Brasil a obter o status de área livre de febre aftosa sem vacinação — condição que o Brasil só alcançou em todo o território nacional no fim de maio.
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Quando o Brasil avançou nas negociações com o Japão, em março, destravando a fase de auditoria, o governo solicitou que as compras fossem liberadas inicialmente para os estados que já possuíam o selo de livre de aftosa sem vacinação à época.
O Japão é considerado um dos mercados mais rigorosos do mundo em termos de exigências sanitárias. O procedimento de abertura, negociado há mais de 20 anos, conta com cerca de 12 etapas.
A estratégia é obter a habilitação para esses três estados e, em seguida, pedir a inclusão do restante do país, já que agora todo o território brasileiro tem o certificado.
As autoridades japonesas já realizaram auditorias nos estados do Sul – considerado o passo mais importante – e devem apresentar o relatório de aprovação ao governo federal em breve, segundo relatos.
Um pedido abrangendo todo o Brasil de imediato poderia atrasar o processo, que já é lento, obrigando o reinício de etapas.
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Como o Japão é extremamente rigoroso em questões sanitárias, não concede aprovação para todo o território nacional sem antes realizar inspeções estado por estado, o que torna o trâmite ainda mais demorado.
Uma comitiva do governo federal desembarcou no Japão na última segunda-feira (11) para tentar avançar nas tratativas de abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira.
O grupo é liderado pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, que se reunirá com suas contrapartes japonesas para acompanhar de perto o andamento dos trâmites regulatórios necessários para a entrada do produto.
O Japão importa mais de 700 mil toneladas anuais de carne bovina e é visto como alternativa para diversificar destinos de exportação após o tarifaço de Donald Trump.
As negociações ganharam novo fôlego após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Tóquio, em março. Segundo o governo, há boas expectativas de que a abertura seja concretizada ainda este ano.
O país é o terceiro maior importador global de carne bovina, sendo 80% desse volume proveniente dos Estados Unidos e da Austrália.
Outro tema que estará na pauta das autoridades nacionais é a ampliação do mercado para a carne suína brasileira e para outros produtos de origem vegetal.
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