Temporal já deixa mais de 80 mortos e outras dezenas estão desaparecidos, entre eles um grupo de 11 meninas que estavam em acampamento. Especialistas explicam que calor aumentou umidade que deu força para que o temporal agisse rapidamente. Time-lapse mostra avanço da água durante enchente no Texas @robertivey77 via Instagram Ao menos 82 pessoas morreram e mais de 40 continuam desaparecidas após o temporal que atingiu o Texas. A força da chuva surpreendeu os moradores e impediu que muitos conseguissem fugir do avanço da água, que, segundo o serviço de meteorologia local, chegou a subir nove metros em apenas duas horas. A explicação está no calor e na umidade atípicos, reflexos das mudanças climáticas. A tragédia ocorreu entre a noite de quinta-feira (4) e a madrugada de sexta-feira (5), durante o feriado da Independência dos EUA. Chuvas torrenciais provocaram o transbordamento do rio Guadalupe, um dos principais cursos d’água do estado. CHUVA NO TEXAS: veja o que se sabe sobre temporal e número de desaparecidos Segundo o serviço de meteorologia, as águas subiram cerca de nove metros em duas horas. Chuvas com alagamentos nessa época do ano são comuns, mas a intensidade da chuva e a força da água fizeram com que os níveis subissem rapidamente, antes de qualquer resposta. Até a manhã desta segunda-feira (7), o número de mortos era de 82. No entanto, mais de 40 pessoas ainda estavam desaparecidas. Um grupo de dez meninas que participava de um acampamento na região estava entre os desaparecidos. Enchente submerge carros e deixa mortos no Texas após chuvas intensas Jim Vondruska /Getty Images via AFP Por que isso aconteceu? De acordo com meteorologistas, a principal explicação para a chuva extrema é o aumento da umidade na atmosfera. Como isso acontece: O calor intenso aquece as águas; Com isso, há mais evaporação e, consequentemente, mais umidade no ar; Esse excesso de umidade se transforma em combustível para as chuvas, que se tornam mais intensas e rápidas — como o que aconteceu no Rio Grande do Sul. ➡️ A água quente do Golfo do México alimentou uma atmosfera já úmida. Ainda mais umidade veio de áreas sobre o Oceano Pacífico, ao oeste. Essa combinação gerou um alto potencial de precipitação quando a tempestade começou. Vista aérea feita por drone mostra casas alagadas após chuvas torrenciais que provocaram enchentes repentinas ao longo do rio Guadalupe, em San Angelo, Texas, EUA, em 4 de julho de 2025 Reuters Seca anterior agravou o impacto Robert Henson, meteorologista e escritor da Yale Climate Connections, explicou que a chuva caiu sobre a região montanhosa do Texas, onde a água desce rapidamente pelas colinas escarpadas em direção a bacias hidrográficas estreitas, que incham com facilidade. “Como costuma acontecer com os piores desastres, muitas coisas se juntaram de uma forma terrível”, disse Henson. Além disso, a região enfrentava uma seca severa, o que fez com que a terra, seca e compactada, não absorvesse a água. Isso aumentou o volume do escoamento e agravou a situação para as crianças que estavam no acampamento. “Uma chuva repentina como essa vai ter mais dificuldade para ser absorvida”, afirmou Brett Anderson, meteorologista sênior da AccuWeather. “Ela simplesmente escorre. É como concreto.” Sobe para 80 o número de mortos nas enchentes no estado americano do Texas
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