A XVII Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro, antecipou sua declaração final para o primeiro dia do evento, gerando análises sobre seu conteúdo e implicações geopolíticas. O analista de internacional da CNN Lourival Sant’Anna avalia que o documento favorece a Rússia e se posiciona contra a Ucrânia.
Segundo Sant’Anna, a declaração condena a Ucrânia por se defender de uma invasão que já dura 1.229 dias, período durante o qual o país tem sido alvo de bombardeios diários, principalmente em áreas civis, resultando em vítimas entre mulheres e crianças. O analista destaca que o texto não menciona que a guerra foi uma escolha da Rússia, mas critica a Ucrânia por suas ações defensivas.
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Contradições e críticas ao multilateralismo
O documento do Brics defende o multilateralismo, mas Sant’Anna aponta uma contradição: dois de seus membros, China e Rússia, estão entre os principais violadores desse princípio. Com os Estados Unidos, esses países frequentemente vetam resoluções alinhadas com o direito internacional no Conselho de Segurança da ONU.
A declaração aborda a questão palestina, mencionando uma solução de dois Estados. No entanto, o analista ressalta que, embora Israel seja um grande responsável pela falta de um Estado palestino, o Irã também contribui indiretamente para o problema ao patrocinar o Hamas, fornecendo justificativa moral para Israel manter a ocupação.
Governança da inteligência artificial e composição do grupo
Sant’Anna critica a inclusão de tópicos sobre governança da inteligência artificial na declaração, argumentando que o documento é assinado por algumas das “ditaduras mais sanguinárias do mundo”, que controlam a informação e violam a liberdade de expressão.
O analista destaca que o Brics é formado majoritariamente por regimes autoritários, liderados pela China, que está em disputa por hegemonia com os Estados Unidos. Países democráticos como Brasil, África do Sul, Índia e Indonésia são, na visão de Sant’Anna, usados por essas ditaduras em uma luta mais ampla entre autocracias e democracias.
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