Em participação no programa Conexão GloboNews, jornalista disse que a carta enviada ao governo brasileiro tem caráter ideológico e não reflete a relação entre os países “Não tem nenhuma vantagem. Politicamente, fica claro que quem pediu que o Brasil fosse punido foi o grupo da direita, ligado a Jair Bolsonaro.” “Não se toma uma decisão econômica alegando um motivo ideológico completamente estapafúrdio”, disse a jornalista Miriam Leitão ao comentar a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros anunciada pelo presidente americano Donald Trump na tarde desta quarta-feira (9). Na análise da jornalista, não há pontos positivos na aplicação da tarifa. “É uma medida ruim politicamente e péssima do ponto de vista econômico”, disse. “Não tem nenhuma vantagem. Politicamente, fica claro que quem pediu que o Brasil fosse punido foi o grupo da direita, ligado a Jair Bolsonaro”, apontou. Segundo a jornalista, o anúncio de Trump afeta diretamente a direita brasileira. Ela também defende que a aplicação das taxas é um problema econômico, inclusive para o governo americano. “Essa medida afeta a economia, afeta o preço no supermercado, tem coisas que vão diretamente ao bolso”, comentou. Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidente dos EUA, Donald Trump. AFP/Reuters Miriam relatou uma conversa com José Roberto Mendonça de Barros, economista e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. “Ele falou: ‘é uma burrice econômica'”, afirmou. Segundo a jornalista, a forma como a sanção foi imposta é inédita nas relações entre Brasil e Estados Unidos. “Eu já vi e acompanhei momentos de tensão há muito tempo, desde os anos 1970, quando, por exemplo, o Brasil rompeu o acordo militar que tinha com os EUA. Teve crise, teve problemas, nada nessa dimensão e nada dessa forma”, comentou. Além disso, Miriam lembrou a fala de Trump na carta em que acusa o Brasil de atacar eleições livres e direitos fundamentais de liberdade de expressão. “O Brasil é claramente uma democracia, o mundo sabe disso. Foi um erro político grande”, completou. 💰 Entenda o contexto: A carta de Trump foi recebida com espanto por especialistas, que destacaram o caráter político do texto. O anúncio citou o julgamento enfrentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado em 2023. Há também argumentos econômicos. Trump afirmou que a relação comercial dos EUA com o Brasil é “injusta”. Dados, no entanto, mostram que os americanos têm superávit na balança comercial. “Não seria a primeira vez que os Estados Unidos usam a política tarifária para fins políticos”, disse o economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel. Entidades da indústria e da agropecuária brasileira manifestaram preocupação com o anúncio e disseram que as taxas ameaçam empregos. Após o anúncio, o presidente Lula defendeu a soberania brasileira e afirmou que o país “não aceitará ser tutelado por ninguém”. LEIA TAMBÉM Quais os efeitos imediatos da tarifa de Trump para a economia brasileira O que acontece se o Brasil retaliar a tarifa dos EUA? Lei da Reciprocidade: entenda o texto citado por Lula para responder tarifaço de Trump Brasileiros ‘invadem’ perfil de Trump e dominam comentários: ‘Deixe o Brasil em paz’
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