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Roberto Azevêdo: É difícil desvencilhar economia de narrativas políticas que dobram aposta

O Brasil enfrenta um momento crítico nas relações comerciais com os Estados Unidos, com a implementação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Para Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC, a situação reflete uma complexa teia de fatores econômicos e políticos que vai além das tradicionais negociações comerciais.

Durante o WW, ele destacou que a atual situação comercial com os Estados Unidos possui duas vertentes distintas. A primeira, de natureza econômica, segue uma lógica clara e previsível, semelhante às negociações realizadas com outros países, como Japão, União Europeia, Canadá e México.

No caso específico do Brasil, Azevêdo aponta a dimensão política como a segunda vertente que tem se mostrado particularmente desafiadora. Segundo ele, ao longo do trajeto político entre os dois países, diversas “pontes foram sendo queimadas”, com posicionamentos que demonstram uma escalada contínua de tensões.

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A situação se torna ainda mais complexa devido à atual dinâmica internacional. Azevêdo exemplifica citando o conflito na Ucrânia, onde as tensões entre Estados Unidos e Rússia têm escalado significativamente, com demonstrações de força militar que incluem o deslocamento de submarinos nucleares americanos.

O cenário atual, conforme análise de Azevêdo, indica uma tendência preocupante de intensificação dos conflitos, onde as narrativas políticas têm prevalecido sobre a lógica econômica. “É difícil desvencilhar a lógica econômica de narrativas políticas que dobram aposta”, disse ele. “Isso não vai terminar em um bom lugar”, completou, expressando preocupação com o rumo das relações comerciais entre os dois países.

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