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Por que ninguém quebra o recorde mundial do salto triplo há 30 anos?

Ao chegar em Gotemburgo, na Suécia, Jonathan Edwards fez uma compra inusitada no duty free: um par de óculos escuros. Ele não queria se proteger do sol na bela costa da cidade, mas sim usá-los durante o Mundial de Atletismo daquele ano.

Edwards estava tomado pelo medo, e os óculos serviriam, segundo ele, para esconder esse nervosismo dos adversários.

“Eu achava que poderia não vencer”, lembra o britânico, que vivia sua melhor fase em 1995.

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Salto histórico e recorde absoluto

No fim, Edwards não precisava se preocupar. Naquele dia, quebrou duas vezes o próprio recorde mundial, saltando impressionantes 18,29m na segunda tentativa.

O segundo colocado, o bermudense Brian Wellman, ficou a mais de meio metro de distância.

Nesta quinta-feira (7), o feito completa exatos 30 anos — um dos recordes mais duradouros do atletismo.

Desde então, apenas Christian Taylor chegou a 10 cm da marca. Somente oito atletas superaram os 18 metros na história.

Salto perfeito revisto com orgulho

Edwards diz que nunca se cansa de ver o vídeo daquele salto: sua velocidade, a cadência dos movimentos e a aterrissagem perfeita na caixa de areia.

Ao ultrapassar a tábua de 18 metros, soube na hora que tinha feito história. Ergueu os braços e, ao ver a marca no telão, deu um leve ombro como quem diz: “De novo”.

“É maravilhoso. Me faz sorrir”, disse Edwards à CNN. “Mesmo sendo eu, há algo muito bonito esteticamente naquele salto.”

“Ter um recorde mundial, fazer algo que ninguém fez antes… É notável. E sou só eu — com minhas pernas magras e brancas. É algo adorável.”

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Dois saltos para a eternidade

Com o salto inicial, tornou-se o primeiro homem a ultrapassar os 18 metros. Depois, com o segundo, foi além dos 60 pés (18,288m).

Mais tarde, saltou 17,49m, mas o ouro já estava garantido. Edwards acredita que o primeiro recorde abriu caminho para o segundo.

“Continuei com aquele estado de alerta elevado”, explicou. “Era sobre aproveitar o momento, não temer o erro, mas tentar algo extraordinário.”

Um recorde que desafia o tempo

Poucos recordes masculinos duraram tanto. Entre eles, os de Mike Powell (8,95m no salto em distância) e Javier Sotomayor (2,45m no salto em altura).

Edwards acredita que, nos anos 1980 e 1990, o nível técnico era mais alto, reflexo de maior investimento no atletismo na época.

“Falta infraestrutura e oportunidades hoje”, diz ele. “Mesmo onde há, o atletismo não compete com esportes mais profissionalizados.”

“Os jovens têm muito mais opções hoje. O atletismo não acompanhou a comercialização dos esportes. A base encolheu.”

Talento raro e estilo único

Essa redução da base pode explicar a longevidade do recorde, apesar dos avanços em nutrição, ciência e equipamentos.

Mas Edwards também acredita que sua leveza e velocidade únicas explicam o feito — um estilo que lembra uma pedra quicando sobre a água.

“Observei todos os que vieram depois. Nenhum salta como eu. Eles são maiores, eu era leve.”

“Talvez eu nem parecesse um triplista… meu salto puro não era incrível, mas minha velocidade era constante até o fim, por isso fui mais longe.”

Britânico Jonathan Edwards quebra o recorde mundial do salto triplo em 1995, há 30 anos, na Suécia; marca de 18,29m ainda não foi superada • John Giles/PA Images via Getty Images Mudança no perfil dos atletas

“Hoje, os triplistas têm estilo mais voltado ao salto do que à corrida”, comenta. “Ficam mais tempo no chão — e quanto mais tempo, mais perdem velocidade.”

Sua jornada no esporte também foi diferente. Não foi apenas o talento que o moveu, mas a fé cristã e o incentivo do pai, pastor da Igreja Anglicana.

“Não teria sido atleta sem a fé”, disse. “Sentia que Deus me deu esse dom, por mais incomum que fosse.”

“Meu pai teve papel importante. Era um princípio cristão simples: usar bem aquilo em que se é bom. Era uma forma de viver minha fé no dia a dia.”

Recorde e fé, caminhos que se cruzam

Hoje, aos 59 anos, Edwards já não segue mais a fé que o fez recusar competir aos domingos. Vê a religião como uma espécie de suporte psicológico.

Talvez isso tenha ajudado a alcançar o auge em 1995. Naquele ano, ele saltou 18,43m em Lille, mas o vento acima do permitido invalidou a marca.

“Foi o dia mais incrível da minha carreira”, diz sobre o salto na França. “Revivi aquilo muitas vezes. Ritmo, tempo, velocidade — tudo perfeito.”

“Foi tecnicamente melhor que o salto de Gotemburgo”, afirma.

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Dificuldade de repetir a perfeição

Naquele período, Edwards estava em sua melhor forma. Lamenta não ter conseguido repetir a ação perfeita dos braços depois disso.

Foi prata em Atlanta 1996, mesmo como favorito, e conquistou o ouro em Sydney-2000, embora ache que seu salto na final “não foi grande coisa”.

Ele sente que só teve domínio técnico absoluto do salto triplo por um breve momento, e que isso fez toda a diferença.

“Mostra como é difícil acertar esse salto”, diz. “São muitos movimentos. Você pode acertar o hop e o step, mas errar o jump. Tudo precisa encaixar.”

Quando o fim de um recorde chegar

Talvez seja essa complexidade técnica que mantenha o 18,29m de pé por tanto tempo.

Mas, como todo recorde, um dia será quebrado. Se isso vai acontecer em breve ou não, é outra história — e Edwards prefere não pensar muito nisso.

“Se for quebrado, tudo bem. Não é o fim do mundo”, afirma. “Mas é parte de mim. Parte da minha vida. É incrível ter feito algo inédito na história.”

E ele quer estar presente quando sua marca cair? “Definitivamente não”, responde. “Quero estar longe, onde ninguém me encontre. Só eu e meu silêncio.”

Talvez, nesse dia, ele também busque seus óculos escuros — não para esconder o medo, mas a tristeza de ver um ciclo chegar ao fim.

📰 Conteúdo Importado via IA: Este artigo foi automaticamente importado e adaptado por Inteligência Artificial a partir de CNN Brasil. Ver artigo original.

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